Livre_do_ponto

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49º Tempo – O suposto texto de Gabriel García Márquez

Posted by LMML em Outubro 16, 2006

Post 49Circula na Internet um texto supostamente escrito por Gabriel García Márquez autor de uma intensa bibliografia da qual destaca, por razões pessoais, Ninguém Escreve ao Coronel, Amor em Tempos de Cólera, Cem Anos de Solidão e  Relatos de Um Náufrago.

Gabriel García Márquez supostamente nos seus últimos dias, vítima de doença em estado terminal… decidiu, supostamente, escrever uma última carta a todos os seus leitores – e não só –… despedindo-se. Texto pungente…

No entanto este já negou por diversas vezes a sua autoria. Segundo a “Crônica do falso adeus” de Orlando Maretti, “Gabriel García Márquez, ou Gabo, para os amigos, … não apenas negou, pela imprensa, que estivesse em estado terminal como também espinafrou a pieguice do texto e seu autor, identificando-o como um subliterato latino-americano. Em recente entrevista ao jornal espanhol El País, o escritor colombiano lamenta a repercussão do texto.”

Mais ainda, segundo Orlando Maretti “(…) a primeira pista para duvidar da autoria é a insistência na citação vocativa de Deus. Pelo que se sabe, García Márquez é um escritor de esquerda, simpatizante do marxismo, amigo de Fidel Castro, militante de causas sociais. Enfim, um humanista engajado, mas nem de longe seu perfil lembra um religioso.”

Desmentido então a autoria e a morte anunciada de Gabriel García Márquez, ainda assim, deixo-vos o suposto texto:

 

“ Se por um instante Deus se esquecesse que sou uma marionete de pano me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas em definitivo pensaria em tudo o que digo.Daria valor as coisas, não pelo que valem, mas sim pelo significam. Dormiria pouco, sonharia mais. Entendo que por cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz.

Andaria enquanto os demais se detém, despertaria enquanto os demais dormem. Escutaria enquanto os demais falam, e como desfrutaria de um bom sorvete de chocolate! 

Se Deus me favorecesse um pedaço de vida, me vestiria simples, me atiraria de bruços ao sol, deixando descoberto, não só meu corpo, mas também minha alma. Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria meu ódio sobre o gelo, e esperaria que saísse o sol.

Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre estrelas um poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à lua. Regaria com minhas lágrimas as rosas, para sentir a dor de seus espinhos, e o vermelho beijo de suas pétalas…

Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida… Não deixaria passar um só dia sem dizer as pessoas que eu amo, que as amo. Convenceria a cada mulher ou homem que são meus favoritos e viveria apaixonado de amor. Aos homens provaria quanto equivocados estão ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de se apaixonar!

A um menino daria asas, mas deixaria que ele sozinho aprendesse a voar. Aos velhos ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas sim com o esquecimento. 

Tantas coisas aprendi com vocês, os homens… Aprendi que todo mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escalada. Aprendi que quando um recém-nascido aperta com seu pequeno punho, pela primeira vez, o dedo de seu pai, o tem agarrado para sempre. Aprendi que um homem só tem direito a olhar o outro até em baixo, quando há de ajudá-lo a levantar-se. São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas realmente de muito não haverão de servir, porque quando me guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei morrendo. 

Sempre diz que o que sentes e faz o que pensas. Se soubesse que hoje fosse a última vez que vou te ver dormir, te abraçaria fortemente e rezaria ao Senhor para poder ser o guardião de tua alma. Se soubesse que esta fosse a última vez que te vejo sair pela porta, te daria um abraço, um beijo e te chamaria de novo para dar-te mais. Se soubesse que esta fosse a última vez que ouviria tua voz, gravaria cada uma de tuas palavras para poder ouví-las uma e outra vez indefinidamente. Se soubesse que estes são os últimos minutos que te vejo diria “te amo” e não assumiria, tontamente, que já sabes. 

Sempre há um amanhã e a vida nos dá outra oportunidade para fazer as coisas bem, mas se me equivoco e hoje é tudo o que nos resta, gostaria de dizer o quanto te amo, que nuca te esquecerei. O amanhã não está garantido a ninguém, jovem ou velho. Hoje pode ser a última vez que vejas os que amas. Por isso, não esperes mais, faz hoje, já que se o amanhã nunca chega, seguramente lamentarás o dia que não tivestes tempo para um sorriso, um abraço, um beijo e que estiveste muito ocupado para conceder-lhes um último desejo. 

Mantém os que amas perto de ti, diz-lhes ao ouvido o muito que necessitas deles, ama-os e trata-os bem, encontra tempo para dizer-lhes “sinto muito”, “perdoa-me”, “por favor”, “obrigado” e todas as palavras de amor que conheces.

Ninguém te recordará por teus pensamentos secretos. Pede ao Senhor a força e sabedoria para expressá-los. Demonstra a teus amigos quanto são importantes para ti.”

 

 

 

 

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