Livre_do_ponto

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59º Tempo – O direito de não adesão à greve

Posted by LMML em Outubro 18, 2006

Cruzei-me ontem com um post de um blogue que visito com relativa assiduidade. No ’Sala de Aula’, o seu autor, Miguel, num post intitulado ‘As razões que me levam a não aderir à greve  apresenta 5 razões que o levaram a não aderir à greve. Resumidamente, e esperando que o autor não se oponha, apresento-as aqui:

1– Os sindicatos da Educação nunca lutaram por alterar o actual sistema de avaliação de desempenho dos professores;
2– Só agora os sindicatos se unem num único propósito;
3– Este tipo de estratégia não terá quaisquer efeitos na acção da tutela;
4– Defendo uma alteração completa do actual Estatuto da Carreira Docente;
5–  Tenho opinião própria.

In As razões que me levam a não aderir à greve 
Blogue:
’Sala de Aula’ 

 

Quase caiu o Carmo e a Trindade. Forám inúmeras as pessoas que o criticaram dizendo desde “(…) Não sei como ficará a sua consciência se no caso de existir alteração, às propostas do E.C.D. feitas pelo M.E., as quais você n concorda. Penso k o melhor seria estas não o contemplarem. Sinta-se mais Professor (…)” a “(…) Como lhe disse Miguel tenho pena, hoje EU ACHO que não foi professor… hoje esteve ao lado do Ministério, ao lado dos que não respeitam os professores (…)”.

Estas reacções parecem-me exageradas e algo despropositadas. O mesmo direito que assiste a uns de aderir à greve, assiste a outros ao não o fazerem… e em ambos os casos – pelo menos espero eu – a decisão foi tomada fruto de um processo de análise e reflexão sobre qual a posição a tomar. Nada mais do que isso. Quando a maioria defende um ponto de vista… não torna todos os outros – pontos de vista – errados. Caso seja assim andamos a voltar atrás no tempo.

Eu não tenho a mesma opinião que o Miguel. Partilhamos alguns aspectos defensáveis mas discordamos noutras partes. Tive oportunidade de comentar o seu post dizendo: “(…) Tal como o meu caro também existem princípios contidos nesta proposta de ECD com os quais concordo… isto não significa o mesmo que… “concordo com alguns pontos do ECD”. Para mim são questões diametralmente opostas. Sim, creio que a avaliação de desempenho tenha de ser repensada, a actual não promove o sucesso profissional e, sobretudo, não beneficia os que dão muito de si em prol dos míudos e da escola. Sim, creio que alguma coisa teria de ser feita em termos de redefinição de práticas e conceitos. Não era comportável continuar-se ‘a ladrar’ vendo a caravana ‘da penúria educativa’ a passar. Concordo consigo quando deixa transparecer nas suas palavras [julgo eu] que, em determinadas ocasiões, foram outros interesses a guiar as acções dos sindicatos do que as reais necessidades e exigências dos seus representados [o mesmo se passa noutros sectores de actividade]. Defendo que devam ser criadas outras formas de representação dos professores que não passem pelas organizações sindicais, cujas acções são sempre sujeitas e leituras e interpretações dúbias. No entanto, qualquer que fosse a intenção desta proposta de ECD, o dito deveria ser honestamente discutido com quem [à falta de melhor] ‘representa’ a classe docente. Sem fazer aqui um imaginativo e fastidioso recurso à lei laboral, apenas refiro o direito à negociação colectiva de matérias relativas à carreira. O que, de facto, não me parece que esteja a acontecer. No entanto, embora não concordando, percebo o seu ponto de vista relativamente à não adesão à greve… e como também sei pensar pela minha própria cabeça [penso que ao ter dito isso não quis dar a entender que os que fazem grave não pensam pela sua] irei fazer, pela terceira vez na minha carreira, greve (…)”.

 

Das 5 razões aprensentadas pelo Miguel no ‘Sala de Aula’ há uma com a qual estou em tremendo desacordo… a de que este tipo de estratégia não terá quaisquer efeitos na acção da tutela. E estou em desacordo por uma razão muito simples: eu, ao aderir à greve, por paradoxal que possa parecer, não faço da adesão uma estratégia para alterar o rumo da acção da tutela. Faço greve para dar voz à minha posição… acho que em aspectos como este não é salutar ter-se um raciocínio de causa-efeito: “faço isto para obter aquilo”.

 

Ao aderir-se ou não a uma greve deste cariz está-se apenas a defender determinada ideia, determinado ponto de vista… e nada disto pode ser lido como estando do lado dos professores ou estando do lado do Ministério. Desde que as pessoas decidam em resultado de uma séria reflexão… defenderei a sua opinião com as mesmas forças que defendo a minha.

 

 

 

 

Uma resposta to “59º Tempo – O direito de não adesão à greve”

  1. Miguel said

    Pois bem, o que interessa é que façamos o que vai na nossa consciência.
    Abraço.

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