Livre_do_ponto

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Quo vadis Escola Pública? – Parte I

Posted by LMML em Outubro 20, 2008

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Foram muito pontuais as ocasiões em que manifestei aqui no LdP a minha posição relativamente ao que tem acontecido à Escola Pública nos últimos 2/3 anos. Durante as próximos duas semanas irei postar alguns considerandos necessariamente curtos que fundamentarão a minha presença em Lisboa, no dia 15 de Novembro, juntando-me assim ao que desejo ser uma manifestação genuína e despida de ínvios e pouco transparentes interesses, por um outro caminho na procura de uma Escola Pública exigente, dinâmica e democrática nos seus objectivos e práticas.

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Parte I – Dos promotores e dos actores da mudança

Provavelmente nenhum outro Sector/Instituição nacional sofreu tantas e tão variadas reformas com tão reduzido impacto positivo como sofreu o ‘Ensino’. Reformas de Currículos, de Carreiras, de Estruturas de Gestão e Administração, de Estruturas de Apoio Educativo, de Infra-estruturas, de… de…

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Têm existido permanentemente críticos do ‘estado actual’ dispostos a alimentar e/ou encetar reformas radicais através de iniciativas sempre ambiciosas (como convém), acreditando generosamente ou inviamente que o caminho para a mudança (agora tão em voga) era por ali. Têm sido cíclicos e crónicos os apelos para uma espécie de refundação da Escola Pública, alimentados mais por reactividade do que por proactividade,  e quase sempre com resultados efémeros e/ou muito pouco visíveis. Ideias inovadoras e normativos pejados de promessas de um novo mundo têm frequentemente ficado muito àquem das iniciais expectativas dos seus promotores. Quando apresentam as suas intenções, esses mesmos promotores fazem-no sempre denotando uma preocupação visível em conquistar os apoios e elogios dos legisladores, dos empresários, dos políticos, dos fazedores de opinião e da vox populi. Raramente colocaram em prática aquilo que é demasiado óbvio para deixar passar em claro: que uma verdadeira mudança não poderá ocorrer sem que os seus principais actores (no caso: alunos, pais e professores) se sintam efectivamente envolvidos e (co-)responsabilizados na sua concepção e aplicação, mesmo considerando que no caso do Ensino se assista à peculiaridade de termos frequentemente os professores como alvos e agentes da mudança, colocando-os numa posição híbrida de elevada complexidade e de difícil adaptação.

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Negligenciando ou, mais simpaticamente não levando em devida consideração este facto, qualquer projecto ou dinâmica de mudança acabará, fatalmente, por ter infeliz destino traçado. Seja qual for o contexto, seja qual for o tipo de organização, seja qual for a realidade, seja qual for o status político de ocasião, ao promoverem-se mudanças na concepção, funcionamento e finalidade de um sistema organizativo (ainda para mais sistémico como é o Ensino), mesmo considerando essas mudanças como extremamente necessárias, descurando o papel relevante daqueles que serão os seus agentes e fazendo uso de imperativos normativos centralizadores, castrantes e impraticáveis origina um caos de processos e práticas com consequências devastadoras. E todas as convulsões a que temos vindo a assistir nestes últimos anos (com particular ênfase nos últimos três) são prova disso mesmo.

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