Livre_do_ponto

________________________________ \” apenas aqueles que sabem são verdadeiramente livres \”

Archive for the ‘8. Reivindicações’ Category

Ordem como resposta à Desordem?

Posted by LMML em Abril 27, 2008

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Ao longo dos anos têm sido tímidos os avanços e iniciativas para debate e reflexão relativamente à possibilidade de criação/existência de uma Ordem de Professores e, paralelamente ou não, de um código deontológico. Não pretendo aqui discorrer sobre questões de alguma tecnicidade (exclusividade das profissões liberais, auto-regulação, independência moral e ética, etc.). Este post surge em consequência de mais uma manifestação de intenção sobre o tema levada a cabo pela Associação Nacional de Professores e aproveitando um post que o Paulo Guinote publicou no Umbigo.

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Em resposta ao seu texto referi, comentando as palavras do Paulo, que se por um lado sobre a possibilidade de criação de uma Ordem afirmava, e concordo plenamente, que “seria um projecto interessante”, logo de seguida parecia pré-determinar que, a ser criada, esta dependeria de uma aceitação do Estado em conferir ao professorado um espaço próprio de acção moral, ética e cientificamente auto-reguladora: “(…) se o Estado aceitasse que os professores, maioritariamente seus funcionários, pudessem auto-regular o exercício da própria profissão (…)”. Mas, tal como o Paulo afirma, a não dependência quase umbilical do Estado na regulação e decisão da carreira docente é, exactamente, uma das grandes ‘virtudes’ de uma, por ora apenas conjecturada, Ordem de Professores: “(… )A vantagem evidente de uma estrutura deste tipo seria uma maior independência da classe docente em relação ao poder político (…)”.

Eu penso que percebo esta sua precaução/observação. De facto “neste momento, isso não parece ser algo que agrade a esse mesmo poder”. No entanto tal facto só vem reforçar ainda mais a importância e necessidade de existência de uma Ordem de Professores, que poderia conferir, nestes momentos de impasse e atropelo a uma profissionalidade já de si fragilizada, uma certa dose de esperança e, acima de tudo, de respeitabilidade social, cultural e intelectual.

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Teoricamente sem aditivos e conservantes.

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Obviamente que muitos se manifestam profundamente contra, outros enfatizadamente a favor. O que me leva a outro ponto:

De que,  sinceramente a ‘confusão’ arrasta-me.

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(colocando em termos simplificados)

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Para uns dever-se-á dizer não aos sindicatos. Pelas mais variadas razões que vão desde estes não representarem integramente os professores, até ao facto de neles se alojarem um conjunto de profissionais que vê nessa forma um modo de evitar a escola, as aulas e o ensino.

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Para outros dever-se-á dizer não aos movimentos mais ou menos espontâneos/independentes de professores. Pelas mais variadas razões que vão desde estes não agirem de forma devidamente organizada e construtiva, sendo mais lugar para expressões vãs de descontentamento pessoal, até ao facto de esses movimentos fragilizarem a posição negocial dos sindicatos ao retirarem dos seus ombros os galões da mobilização dos docentes.

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Para outros dever-se-á dizer não à Ordem dos Professores. Pelas mais variadas razões que vão desde esta poder tornar-se apenas mais uma organização de clientelas politicas e intelectuais, destinada logo à partida ao insucesso por emanar de um grupo profissional com um longo historial de balcanização (está na moda) cientifica/académica/sindical/política, até ao facto de esta não ser alternativa credível para uma necessária revisão da profissionalidade docente.

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Para outros dever-se-á dizer não a tudo. Para outros dever-se-á dizer sim… ou talvez…. Ou não sei… ou não quero saber…

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Ou

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Ou…

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E neste arrastão de ideias, vontades e desejos é importante guardarmos o discernimento suficiente para perceber que devemos ouvir os outros, não dar nada como certo (ou errado) e acima de tudo tentar que a nossa opinião, seja ela qual for, esteja devidamente fundamentada e sustentada nas mais diversas fontes que não apenas aquilo que vamos lendo nos jornais, lendo num blogue ou ouvindo em conversas de evasão profissional.

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Posted in 8. Reivindicações, desabafos, educação, politiquices, professores, reflexão | Leave a Comment »

Quanto à proposta do novo modelo de gestão da escola pública

Posted by LMML em Janeiro 13, 2008

Há já bastante tempo que nada acrescentava ao LdP. Foi uma decisão que tomei com a entrada do novo ano.

Depois de muito tempo retirado à família durante os anos de 2006 e 2007 (por variados motivos) e, caso o destino assim o permita, com um ano de 2008 (e os dois seguintes) marcantes para o meu futuro académico e profissional e a exigirem de mim bastante tempo e dedicação… o LdP acabou por tornar-se, infelizmente, o ‘elo mais fraco’.

Será menor a frequência de actualização (pelo menos nos tempos mais próximos). No entanto, sempre que possível irei disponibilizando materiais e recursos de apoio ao ensino do inglês.

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Este post interrompe essa minha decisão porque considero o motivo extremamente pertinente e de fulcral importância. Abaixo reescrevo ‘mail’ que enviei a todas os contactos da minha lista. Caso assim o entendam, peço-vos que o reproduzam e enviem também aos vossos contactos.

“A todos,

Quem me conhece sabe que não tenho por hábito reencaminhar mensagens de correio electrónico. Se o faço nesta altura, e com esta mensagem em particular, é por se tratar de um assunto que considero de extrema importância para o futuro do nosso sistema educativo.

Sem tomar aqui partido quanto às vantagens e desvantagens do modelo de gestão que o actual governo propõe para as escolas do sistema de ensino público (cuja proposta poderá ser consultada aqui), julgo ser perfeitamente natural exigir-se um tempo e espaço de discussão pública que permita a todos os interessados (directos e indirectos) a oportunidade de conhecerem, reflectirem e discutirem algo que poderá alterar de forma profunda o modo como a escola de hoje será gerida no futuro.

Sendo esta petição ausente de qualquer iniciativa ou influência organizacional, cabe a nós tomarmos o devido conhecimento da mesma e decidirmos pela sua assinatura ou não.

A vós, peço-vos que assinem… já é tempo de nos fazermos ouvir (pais, alunos, professores)… e sem intermediários.

Aqui segue o link da petição

http://www.gopetition.com/online/16302.html

Dado ser um tema do interesse geral, peço-vos também que reencaminhem esta mensagem se, tal como eu, entenderem ser esta uma forma válida e pertinente de exercermos a nossa cidadania.

Grato

Luís Miguel Latas”

Nota: Para mais detalhes consultem o ‘A Educação do meu Umbigo’

Posted in 6. Aos Pais, 7. Sistema, 8. Reivindicações, alunos, educação, escola, professores, reflexão | 4 Comments »

A propósito da Greve de 30/Novembro

Posted by LMML em Novembro 29, 2007

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Foram raras as ocasiões em que aqui no LdP manifestei posições relativas à política educativa do ME neste último par de anos.

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Se o fiz tão raramente, seguramente não foi por não ter nada para dizer… mas antes por entender que este não era o espaço indicado.

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No entanto o caminho desbravado por este ME tem sido de tal maneira humilhante para mim enquanto profissional, enquanto professor… enquanto educador… que desta feita não podia deixar passar a ocasião em claro.

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Defendendo que esta não é, nem deverá ser, a única forma de fazer valer uma outra forma de ver a Escola… Amanhã, à imagem do seu autor, o Livre.do.Ponto estará em greve!

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Assim, não há TIC que lhes valha!

Posted by LMML em Outubro 22, 2007

Com especial predominância durantes os últimos 3 anos, tenho procurado, ao longo do meu percurso de 12 anos  como professor,  integrar no meu processo de ensino diferentes abordagens e instrumentos ditos tecnológicos… e se o tenho feito é porque acho que, de facto, em algumas valências os alunos só terão a ganhar com tal medida. Procurando não os utilizar apenas para poder mostrar bandeiras [como que assinalando que também viajo na crista da onda da moda educativa], tenho tentado ser sensato nas opções metodológicas tomadas. Tendo a perfeita consciência que não repousa nas TIC o milagre da aprendizagem, acredito que utilizadas com parcimónia e no momento e forma devidos, as TIC têm um importante papel a desempenhar no futuro do processo de ensino e aprendizagem, podendo contribuir para o combate ao desinteresse e desmotivação dos alunos e, consequentemente, o combate ao seu [e meu] insucesso.

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No último ano temos vindo a assistir a um frenético publicitar de medidas governativas na tentativa de conferir às escolas um maior e melhor parque tecnológico: os quadros interactivos, os computadores portáteis, a ligação wi-fi, a internet, os projectores video, entre outros, que têm chegado às escolas são exemplo concreto desse esforço que poderá ser apenas mediático.

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Mas oferecer a alguém uma cana de pesca de última vaga, com sonar, radar, ar-condicionado, braço robotizado e leitor de mp3 incorporados, não fará com que esse alguém, de um momento para o outro, passe a pescar robalos e safios com tamanho suficiente para alimentar uma pequena família durante uma semana. Em muitas escolas, os equipamentos entretanto chegados continuam embalados nas caixas de origem ou, quanto muito, instalados numa qualquer sala a ganhar pó. Sem medidas de sensibilização junto dos professores para a utilização das TIC no seu processo de ensino [e a iniciativa dos portáteis da e.escola não é nada disso, aliás… não é nada, ponto!], e posterior formação dos mesmos [a maioria apenas sabe utilizar a net para procurar testes e fichas já feitos] muito dificilmente o acto educativo terá algo a ganhar com tudo isto.

Mas o mais grave, nem sequer é esta falta de sensibilização e formação dos professores para as TIC. Muito mais grave é não se proporcionar o tempo e espaço devidos aos professores que, apesar de tudo, tentam de facto modernizar o seu processo de ensino fazendo o devido uso das afamadas e mediáticas TIC. Pelo menos durantes os primeiros passos, preparar uma aula ou uma actividade onde se faça devido uso de um quadro interactivo, ou de um projector de video com um powerpoint construído para o efeito de uma aula sobre determinado conteúdo, implica um investimento de tempo bastante superior ao de uma aula de 2×1=2, 2×2=4, 2×3=6 [sem qualquer desprimor para esta última]…  e tempo e espaço é o que, seguramente, não temos [eu que o diga… muitas das actividades que tenho elaborado utilizando aqui o LdP como base, ou outros suportes, implicam um grande investimento de tempo da minha parte… seguramente bastante superior às tais oito horas semanais de trabalho individual e com enorme sacrifício da minha vida pessoal – e depois que venham de lá as avaliações de desempenho e as kafkianas grelhas…].

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O mais importante não é termos a cana de pesca melhor equipada com os últimos avanços tecnológicos, mas sim a utilização que dela fazemos para pescar, nem que seja uma tainha de tamanho legalmente duvidoso.

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Fonte: O video aqui utilizado foi encontrado por intermédio do blogue Mestre Diário.

Nota adicional – 19.Nov- Graças a comentário da Prof.Teresa, fui chamado à atenção relativamente à origem do blogue Mestre Diário. Ao contrário do que eu julgava o blogue não é brasileiro mas sim bem português, mantido por Ana Neves como resultado do seu Mestrado em E-Learning pela Universidade Aberta. À autora do blogue as minhas desculpas, à Prof.Teresa o meu obrigado pela correcção.

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Posted in 8. Reivindicações, a despropósito, avaliação, desabafos, educação, escola, politiquices, professores | 3 Comments »

67º Tempo – Amanhã… voltamos ao mesmo

Posted by LMML em Outubro 24, 2006

Segundo parece:

A Plataforma de Sindicatos de Professores reúne amanhã, dia 25 de Outubro, a partir das 10.00 horas, com o Ministério da Educação (reunião a decorrer nas instalações do Conselho Nacional de Educação, em Lisboa).
Será uma reunião extraordinária, no âmbito do processo de revisão do ECD, e nela os Sindicatos apresentarão uma nova contraproposta negocial, que incluirá uma reacção ao documento que recebeu do Ministério da Educação em 19 de Outubro.

 

Deixo-vos aqui o documento entregue pelo Ministério na referida reunião de 19 de Outubro [ comummente referido como proposta 4 para o Estatuto da Carreira Docente – embora não seja nenhuma proposta ].

E aqui poderão encontra um abaixo-assinado online para sublinhar a importância do processo negocial entre Professores e Ministério… o texto apresentado é o seguinte:

 

Os professores e educadores abaixo-assinados consideram que a proposta entregue pelo ME à Plataforma Sindical que congrega as organizações representativas dos docentes, não só não introduz alterações significativas em nenhum dos domínios que têm conduzido à luta esta classe profissional, como constitui uma intolerável intromissão na livre capacidade de organização e funcionamento das suas estruturas sindicais.

Condicionar ligeiras alterações das suas propostas – sob a ameaça de retomar posições anteriores – ao compromisso dos sindicatos travarem a conflitualidade e a luta, de que as propostas do ME têm responsabilidade exclusiva, é uma inqualificável atitude de chantagem sobre os docentes e uma ingerência directa e arrogante na própria vida sindical. Esta é uma atitude imprópria do Portugal democrático em que vivemos e não se coaduna com o sentido de Estado exigível a qualquer governante, pelo que merece não só a repulsa como a denúncia activa de todos os educadores e professores portugueses.

 

 

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64º Tempo – Sobre a avaliação de desempenho

Posted by LMML em Outubro 18, 2006

Simples, conciso, sarcástico e excelente… é o que posso dizer deste post  lido no blogue Renascido. Aconselhando a sua leitura integral, deixo aqui um bem conseguido excerto:

 

(…) Aliás, pensa até aplicar este novo sistema aos seus alunos. No final do ano, passará apenas um terço deles, os mais velhos. Serão esses quem será chamado ao quadro, quem poderá participar de forma activa na aula, ter o seu caderno diário, ou portefólio, revisto e avaliado, cabendo aos restantes o limpar o quadro no final de cada aula, arrumar as cadeiras e verificar se não há papéis pelo chão. (…)”

In “Educação? Se não podes com eles…
Blogue:
Renascido

 

 

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