Livre_do_ponto

________________________________ \” apenas aqueles que sabem são verdadeiramente livres \”

Diário de Bordo

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Por diversos motivos o LdP foi-se afastando daquela que era a sua ingénua intenção inicial: que servisse em simultâneo os propósitos de complementar o trabalho que levava a cabo com os alunos nas nossas aulas e, adicionalmente, tornar-se um espaço para desabafos e exteriorização de pensamentos [como que um plágio pobre dos diários escritos por W. Churchill].

No entanto os dias e os posts foram passando e o tempo e disponibilidade mental foram rareando… em consequência passei a concentrar os meus esforços apenas na produção e disponibilização de recursos e actividades para o ensino e aprendizagem do inglês como segunda língua, deixando quase completamente de parte a intenção diaresca do LdP.

Embora as circunstâncias não se tenham alterado [as horas… para onde vão as horas?!?] penso que consegui uma solução de compromisso. Com a adição desta página, pouco imaginativamente intitulada ‘Diário de Bordo’, pretendo criar um espaço onde de tempos a tempos vá deixando escorrer por entre as pontas dos dedos e o frio mecânico do teclado alguns pensamentos que, mais ou menos frequentemente, teimam em vir deitar-se no lado errado do meu descanso.

Por razões de disciplina mental não irei aqui colocar desabafos de natureza política educativa [esses deixo-os para pessoas que os farão bem melhor do que eu, como o PGuinote no seu Umbigo ou o MPinto com o seu Outro Olhar]. Tratar-se-ão de ideias e recontos, muitos deles desconexos, cujo único propósito minimamente interessante [para além da óbvia perspectiva narcisista, essa de interesse público nulo] será o de proporcionar a quem pacientemente leia uma viagem aos cantos mais recônditos, e por isso menos visíveis, do sentir do professor que, apaixonado por aquilo que faz, une numa coisa só a sua vida pessoal e profissional, fazendo desta última um metrónomo do seu existir.

 

Baixa da Banheira, 10.Outubro.2007

 

 

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29.Abril.2008 – Terça-Feira – 11.40 h.

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Há precisamente cinco anos atrás estava eu às voltas numa sala de espera de hospital esperando que tu chegasses…

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Ontem ao deitar conversamos sobre o quão especial este dia era para ti e para nós. Acredito que adormeceste sonhando com coisas bonitas.

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Esta manhã, como é teu hábito, acordaste com aquela tua frase… mas hoje dita com maior alegria e entusiasmo e acrescentando a lembrança, como se fosse possível nós esquecermo-nos:

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“Já é dia…!

Hoje faço anos!”

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22.Abril.2008 – Terça-Feira – 23.51 h.

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Preâmbulo: Um dia antes da abertura do concurso de afectação realizado em Agosto do ano passado, após cinco extenuantes mas enriquecedores anos passados aqui,  fui informado primeiro por sms depois, mais tarde, por telemóvel que teria de ser opositor ao mesmo, dado não ter componente lectiva prevista para o corrente ano. Em resultado desse concurso e umas semanas depois mudei os meus tarecos para aqui. Apesar de nunca ter sido lá aluno esta Escola fazia parte do meu ideário infanto-juvenil… por terem lá andado grandes amigos meus… por passar por ela quase todos os dias… por conhecer de nome e fama alguns professores… por tudo isto e muito mais, mesmo antes de ter lá entrado nesses primeiros dias de Setembro… já sentia a Escola quase como minha. Fui extremamente bem recebido e, agora, não me sinto corpo estranho e a cada dia que passa as raízes vão buscando solo mais profundo.

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Desde o início do ano lectivo, e depois de ter percebido quais as prioridades a sublinhar no trabalho com a minha direcção de turma, tenho procurado levar a cabo um conjunto de actividades/tarefas/iniciativas com o 6E tendo como principal objectivo que eles funcionassem cada vez mais como grupo em trabalho colaborativo, participativo, no respeito pela diferença e na procura da melhoria individual. Essas actividades/tarefas/iniciativas têm-se pautado pelas mais diversas abordagens… não irei gastar aqui linhas a enumerá-las… no entanto a minha preocupação, para além do óbvio sucesso escolar, tem sido tentar que eles percebam a importância da auto e hetero crítica construtiva, a importância de analisar o ambiente que nos rodeia, de perceber as implicações de contexto, de estabelecer constantemente aspectos individuais a melhorar ou reforçar e da fulcral necessidade de fazer-se a apologia do trabalho árduo e esforço dedicado na superação das dificuldades/objectivos…

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Até agora fui pensando que muitas das horas passadas nestas andanças pouco resultado visível tinham. Até hoje!

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Estava quase na hora da abaladiça depois de mais um dia de aulas… fazendo tempo para que as 18.30 chegassem para poder ir buscar o meu garoto ao infantário e levá-lo para o karate [com ele adora aquilo… aliás foi por causa do karate que o meu filho fixou os primeiros dias da semana… terças e quintas… e não falha]. Estava já de mala aviada quando ouvi, em passagem pela sala de DT’s, três colegas falando sobre a minha DT – naqueles pequenos balanços diários comuns – . Chamaram-me… após alguns minutos de conversa uma das professoras da minha DT disse então esta, para mim, preciosa pérola:

– Sabes, não sei o que tens andando a fazer com eles… mas nos últimos tempos tenho sentido que eles andam diferentes… mais…. mais – procurava a palavra mais apropriada e num rasgo de assertividade disse –  estão mais reflexivos!

e continuou durante mais alguns minutos… dando exemplos concretos e sublinhando o crescimento cognitivo dos gaiatos… explicando o porquê de ter escolhido aquela palavra…

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sinceramente… pouco mais ouvi depois de ‘reflexivos’… na minha cabeça só ecoava a ideia de que afinal

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tem valido a pena…

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16.Abril.2008 – Quinta-Feira – 22.45 h.

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Hoje, a propósito de algo que já contarei adiante, lembrei-me das minhas tardes de catraio em que passava longas horas jogando à bola com o resto da maralhada amiga. Já lá vão uns vinte anos… tinha eu então os meus 13/14.

Era inevitável… não precisávamos de agenda, de palm pilots, de calendários, nem de acordo prévio… a partir das 18 horas em dia de escola… pouco depois do almoço ao fim de semana ou mais cedo se a malta conseguisse convencer os pais. O campo escolhido era sempre o mesmo… exceptuando quando, em tempo de férias, tínhamos os nossos torneios de Verão inter-ruas [a malta Zona Sul, a malta do Racing, a malta dos Alentejanos, a rapaziada da Igreja, a rapaziada da Baixa da Serra… e nós… os putos da Projectada – por ser mesmo esse o nome da rua “Rua Projectada à Rua da Beiras”]… quando chegavam os torneios de Verão era coisa séria. Havia jogos em casa e jogos fora, invasões de campo, penalties em caso de empate, jogos de castigo para cartões, jogos interrompidos porque uma das equipas amuava com o árbitro (normalmente um de nós na 1ª parte e um deles na 2ª)…

creio até recordar-me  de um jogo que, em sinal protesto com a arbitragem tendenciosa e parcial do Sérgio, abandonámos o campo numa decisão colectiva e reflectida deixando-o a falar sozinho… e o Sérgio até era dos nossos, da Projectada… portanto o nosso sentido de justiça não conhecia (ainda?) limites impostos pela amizade ou proximidade familiar.

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Mas seguindo…

o campo era sempre o mesmo. Eu era dos mais sortudos… a rua, hoje alcatroada e ponto de passagem de centenas de carros por dia, nada mais era do que um caminho de terra batida descendo a rua da Igreja em direcção às oliveiras da Baixa da Serra – onde agora é uma das praças da Baixa da Banheira. Rua que alagava quando chovia copiosamente e destilava pó e areia nos dias mais quentes… mas o campo ficava bem em frente à minha casa… e no lado oposto à taberna do Retiro dos Pescadores. Aliás, tenho bem presente a imagem do meu pai à varanda do 2º esquerdo a deliciar-se (ou seria a rir às bandeiras despregadas?) com a nossa qualidade futebolística e zangas sucessivas que enchiam de gritos de criança todas as salas e quartos dos prédios que davam para o largo da Projectada: ora porque a bola não tinha passado a linha, ora porque não se podia atrasar ao guarda-redes [visionários éramos, pois mais tarde foi regra adoptada pela FIFA!!!], ora porque o “Zé ‘tá sempre à mama!” ou “o Janeiro só dá é porrada!”.

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Nos jogos mais renhidos ou nos jogos inter-ruas, aproveitávamos o intervalo para organizar o esquema táctico e as instruções para cada um de nós (“- Zé, vai para a mama que cá atrás só atrapalhas!” “-Janeiro, o Luís Ervilha hoje ‘tá em grande… mas tem canelinhas de vidro… porrada nele pá!”).

E depois lá vinha sempre a frase com que fechávamos a palestra ao intervalo… nunca soube de onde veio aquela frase… ainda hoje me lembro dela e desde sempre a tenho utilizado nas mais diversas situações… até quando – e principalmente quando – em trabalho…

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Vá lá malta…. são dez minutinhos à AJAX!!! – dizia sempre um de nós com o peito vincado de esperança e combatividade mesmo que o resultado fosse 15-7 para os outros… – não se espantem… quem j

ogou à bola na rua sabe que era um resultado perfeitamente comum em consequência do elevado calibre técnico-táctico dos jogadores…

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Dez minutinhos à AJAX! Nunca percebi muito bem o porquê do AJAX… afinal até éramos quase todos ou do Benfica ou do Sporting… mas naquela altura era o AJAX que dava cartas (ou tinha dado mais recentemente) nos jogos europeus que nós víamos na televisão de canal único…

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Dez minutinhos à AJAX!  era sinal de muita corrida, muita entrega na disputa da bola (aiii as tuas canelas Luís Miguel… é só nódoas negras! – dizia a minha mãe quando eu chegava a casa… e o “Luís Miguel” em vez do pacato “Miguel” só era utilizado pela minha mãe quando as coisas estavam bem azedas para o meu lado!)… muito força de vontade, muita concentração e empenho, não dando nada por perdido e contando com todos para fazermos passar a bola pelo Lixívia (guarda-redes da malta do Racing) o maior número de vezes no curto espaço de tempo!

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Dez minutinhos à Ajax! – bastava dizer estas palavras para sabermos todos, num ápice, do que se tratava e o que tínhamos a fazer. Sempre dava menos trabalho que repetir aquele relambório do parágrafo anterior.

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Desde então até aos dias de hoje utilizo muito esta frase… em quase tudo o que faço que exiga lutar contra a adversidade ou momentos mais complicados e difíceis. Incluindo nas aulas!!!

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Normalmente, ainda nas primeiras aulas que tenho com cada uma das turmas e quando a situação se proporciona, conto rapidamente o significado da expressão “Dez minutinhos à AJAX!” e partir daquele dia, uma vez por outra… quando vejo que o tempo aperta, a matéria dificulta, ou que a concentração, empenho e persistência não abundam lá lhes lanço o grito a meio da aula – “Rapaziada… precisamos de dez minutinhos à AJAX! Vamos a isto!” E lá me aplico eu, e eles, na explicação da matéria mais complicada para os miúdos com o mesmo empenho e entrega que corria atrás do Ervilha para lhe aquecer as canelas ou fuzilava o Lixívia com um petardo do meio da rua (literalmente!).

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Há já algum tempo que não utilizava a frase com o 5H… e daí ter ficado extremamente surpreendido com o comentário do J. no final da aula… e que aula!!! 90 minutos de puro deleite. Todos concentrados… todos a participar ordeiramente e com sentido de Estado: ora colocando dúvidas, ora respondendo a questões… ora esclarecendo dúvidas de colegas. Ninguém ficava de fora, todos tiveram o seu tempo de resposta… os que normalmente precisam de mais tempo para perceber e fazer a terem tempo e espaço para progredirem, ora com a minha ajuda ora com a ajuda dos colegas. IMPRESSIONANTE! Ele foi pronomes interrogativos, pronomes pessoais, determinantes possessivos, compreensão de leitura, perguntas de interpretação, vocabulário novo, verbos… e os míudos 5 estrelas: empenhados, trabalhadores, interessados… tudo em sintonia: Eu e eles, eles e eu, eles e eles! E os minutos corriam sem que ninguém desse por eles…

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No final fiz questão de lhes dizer: há muito tempo que não tinha uma aula assim… em que parecia terem-se todos os astros alinhado para baixar sobre nós um momento único de ensinar e aprender. Disse-lhes isso e muito mais… com o coração apertado por dentro por os sentir tão realizados e satisfeitos com o que tinham acabado de fazer…

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E depois… quase à hora da saída… o J. disse-me algo com uma voz tão baixa e tímida (é do seu feitio) que tive de lhe pedir para repetir duas ou três vezes…

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Hoje foram 90 minutinhos à AJAX ‘store!!

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Pois foram J.!

Pois foram!

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14.Abril.2008 – Segunda-Feira – 23.40 h.

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Há já muito tempo que não adicionava texto ao Diário de Bordo do LdP [mais precisamente desde 4 de Novembro de 2007]. E, no entanto, não tenho tido falta de assunto para o fazer. Estes primeiros meses de 2008 têm sido prolíficos no que ao Ensino/Escola diz respeito. Relativamente a tudo o que tem sido dito, escrito e filmado ultimamente, a propósito do novo Estatuto do Aluno, do novo processo de Avaliação de Desempenho de Professores, do novo Regime de Autonomia e Gestão Escolar, das alterações legais para o trabalho a desenvolver com os alunos com Necessidades Educativas Especiais, sobre a indisciplina e violência nas Escolas etc, etc… muito teria para dizer. Aliás tenho-o feito em espaços que não este, por entender que o LdP não é o local mais apropriado e que devo fazer um esforço em manter estanque as questões laborais/profissionais da minha actividade didáctica… mas não resisto a um desabafo: apesar de tudo vivemos um momento de redefinição da Escola Pública… o que queremos que ela seja, que desígnios deverá ela cumprir… e o pior que poderemos é fazer é não participar nessa discussão ouvindo e fazendo ouvir a nossa opinião. Encostar o corpo à parede… deixando a caravana passar, para depois diligentemente arrastarmo-nos atrás da última carroça dando pulos e saltos para apanhar a última boleia que passa não será, seguramente, a atitude mais correcta a tomar. Mas adiante…

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Dia 2 de Abril – reunião com os encarregados de educação da minha direcção de turma. Final de uma quarta-feira… cansativa para a maior parte dos Pais… transparecia nos seus semblantes e andar pesado. Ainda assim cerca de 85% de comparência… e dos que não vieram (4 ou 5) três deles manifestaram a sua impossibilidade e marcámos encontro para outro dia. Abordámos uma série de questões que se prendiam com a actividade desenvolvida pela turma ao longo do 2º Período, mais os ‘temas obrigatórios’ de balanço do desempenho e comportamento escolares dos catraios. Apesar de uma recuperação aparentemente significativa quanto ao desempenho escolar (de 10 alunos em situação de retenção no 1º período, são agora 6) a verdade é que o total de níveis negativos atribuídos a todas as áreas curriculares manteve-se sensivelmente dentro dos mesmos valores do 1º período…. i.e. bastante elevado… principalmente a disciplinas nucleares como LP ou Mat. E uma boa parte desses níveis negativos a dever-se a um factor comum: comportamento irregular com uma taxa de permanência de atenção/concentração/trabalho reduzida. E não foi por falta de esforço dos professores… nem do Director de Turma… o que eu me tenho esfalfado. Mas ainda vão havendo boas notícias… com alguns alunos da turma a registarem francas melhorias, a participarem activamente em actividades extra-curriculares organizadas pela Escola e com a presença de alguns deles em iniciativas inter-escolas em representação da Escola, depois de passadas as fases de eliminatórias: Super T Matik Inglês, Desporto Escolar, Super T Matik Matemática, etc..

No entato, devido ao cenário carregado de poucas promissoras nuvens alinhavámos (EE’s e eu) estratégias: por sugestão minha irei reunir individualmente com cada um dos alunos ao longo das primeiras 2 semanas do 3º período de modo a ajudá-los a fazer um balanço entre o 1º e 2º períodos… identificando aspectos passíveis de serem melhorados/reforçados e dando reforço positivo pelas melhorias alcançadas… tentando depois estabelecer para cada um deles um conjunto de objectivos a alcançar nestas cerca de 10 semanas que faltam para o final do ano lectivo; por acordo entre Pais e DT, a meio do 3º Período iremos reunir Encarregados de Educação, Alunos, Director de Turma e, dependendo das circunstâncias, outros professores da turma, tendo como objectivo fazermos um ponto da situação e podermos salvar o que ainda poderá ser salvo. Veremos!

Algumas questões colocadas pelos Pais, às quais procurei responder da melhor forma possível. Das questões colocadas uma houve que me pareceu bastante pertinente. Aliás… questão essa que logo no início do ano coloquei em sede de reunião de Departamento… acabadinho de chegar a uma nova escola e ainda com as malas a tiracolo: Havendo critérios de avaliação definidos em cada um dos departamentos curriculares, qual será a ponderação a atribuir a cada um desses critérios e que peso cada um deles assumirá na avaliação final? Questão que espero volte a ser abordada em Conselho Pedagógico.

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Entretanto já passaram cerca de duas semanas desde o início do 3º Período. A Estudo Acompanhado lá vamos tentando prepará-los para as provas de aferição de Mat. e LP que se realizarão durante o mês de Maio. Já começámos com a prova de LP (utilizando a de 2006 como base de trabalho), tentando alertá-los para aspectos que deverão levar em linha de conta aquando da realização da prova, sublinhando aqui e ali pontos determinantes para uma eficiente compreensão do texto e correcção nas respostas dadas e exercícios feitos. Para a grande maioria deles creio que este tipo de trabalho acaba por ser uma enorme mais valia… outros… preferem continuar com as prioridades trocadas… mas não são maus miúdos, pelo contrário… caíram-me no goto! Mas por vezes… que raio… não haverá maneira de eles perceberem que o seu hoje determinará significativamente o seu amanhã? Depois de LP virá a de Matemática.

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A Formação Cívica continuamos com as tarefas semanais: depois da recolha de citações que eles considerassem interessantes, da apresentação do seu livro preferido, da análise à publicidade televisiva, da selecção/análise de notícias da imprensa escrita… na passada sexta-feira, a pares ou individualmente, fizeram uma apresentação oral do tema/palavra que lhes calhou em sorte (confesso que viciei o sorteio… eles mais tarde perceberam-no quando verificaram que alguns dos temas/palavras encaixavam na perfeição com os alunos que os deveriam apresentar/defender): humor, respeito, aprender, ensinar, ler, fome, verdade, mentira, tentar, oportunidade, vencer foram alguns dos temas/palavras escolhidos. Conceitos aparentemente simples mas que alguns deles tiveram o devido cuidado de preparar e estender. Algumas das intervenções deram azo a saudável discussão e defesa de argumentos… afinal era isso que pretendia. Foi interessante ouvi-los… e ver como os outros os ouviam. Os 45 minutos de Formação Cívica acabaram por se revelar insuficientes e dado o sucesso da iniciativa acabei por queimar um pouco da aula seguinte (inglês) com a conclusão de todas as apresentações. Surpreendem-me por vezes os gaiatos. Fiquei deliciado… claro está que depois ao final do dia o caldo voltou a azedar-se a Área Projecto… onde alguns deles teimam em não perceber o papel/responsabilidade que lhes cabe na concretização da nossa tarefa sobre os hábitos de alimentação saudável.

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Mas do que fases… os garotos têm momentos… e eu lá me vou tentando adaptar… verborreico e intransigente por vezes… silencioso e permissivo por outras… tentando levá-los sempre por boa maré ao bom porto.

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04.Novembro.2007 – Domingo – 18.40 h.

 

 

 

 

 

Devo estar a ‘chocar’ alguma… um forte zumbido nos ouvidos incomoda-me sem parar.

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Ainda assim, as tarefas para esta tarde de Domingo foram cumpridas em grande parte. O teste formativo para as turmas de 5º ano está pronto. Para além disso disponibilizei para os visitantes do LdP o teste atrás referido e o de 6º ano feito no fim-de-semana passado. Desta vez não coloquei a correcção dos testes. No meio tudo o que tenho por fazer, tem de haver coisas que fiquem para trás.

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Ultimamente não tenho sido muito activo na actualização do LdP. Têm sido dias demasiado preenchidos. Apenas ao final da noite… naquela hora que ‘ninguém desconfia’ e onde já se ‘vão contando carneirinhos’ por esses quartos fora… é que tenho tempo para dedicar ao LdP. Mas ultimamente tenho-me sentido um pouco desmotivado para a actualização do blogue… são fases. Neste momento prefiro dedicar o meu tempo a outras ‘coisas’ bem mais importantes.

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Tenho recebido contactos de professores elogiando o trabalho que tem sido feito no Livre.do.Ponto. Desde Baltar, até Taveiro, passado por Porto e Bragança têm sido inúmeros os professores que utilizam o LdP na sua prática diária. Alguns deles, inclusive, estão também em fase de arranque dos seus próprios blogues de complemento às aulas e apoio aos alunos… referindo ter sido o LdP a sua mola impulsionadora para dar os primeiros passos. Fico realmente satisfeito por saber… que afinal de contas… as horas [muitas horas] passadas a manter o LdP têm as suas consequências positivas [para além da mais óbvia que é o poder proporcionar auxílios aos meus alunos].

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Com o final da semana anterior veio o fim da actividade de Halloween. Alguns dos trabalhos estão brilhantes. As turmas aderiram bastante bem à actividade, quer produzindo trabalhos, quer dirigindo-se à biblioteca para exercerem o seu voto. Passei o final da tarde de sexta-feira a contabilizar os votos e a tirar fotografias aos trabalhos. Durante a próxima semana as fotos serão disponibilizadas no portal do Agrupamento, bem como o anúncio dos premiados. A todos os participantes será entregue um certificado [outra das tarefas minhas deste final de tarde] e aos três primeiros classificados em cada uma das categorias será entregue um jogo ou livro didáctico.

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Aproxima-se mais uma semana ‘daquelas’ e eu… parece que estou a ‘chocar uma daquelas valentes’!!!

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30.Outubro.2007 – Terça-feira – 12.10 h.

 

 

 

 

 

 

Estes últimos dias têm sido madrastos para o LdP. Tenho estado ocupado com a correcção das fichas formativas e com a preparação da exposição de trabalhos dos alunos alusivos ao Halloween e não tenho tido tempo [nem interesse especial] em actualizar o Livre.do.Ponto com novas entradas.

Verdade seja dita, também tenho tirado algumas horas dos meus dias para dedicar a outras coisas que não trabalho… no Domingo fui ao Forum Cultural J.M. Figueiredo assistir a uma peça de teatro recomendada por amigos. Já tinha lido algumas críticas à peça, pelo que resolvi ir assistir à dita. Depois de um belo jantar com grupo de amigos… lá fomos ver “As obras completas de Shakespeare em 97 minutos”… apesar de não ter apreciado especialmente, dei como bem gastas as horas…

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Quanto às fichas… os resultados não me surpreenderam. Com classificações bastante sólidas e, sobretudo, com os alunos do 6º ano a demonstrarem que, uns mais outros menos, compreenderam a matéria, no cômputo geral as indicações dadas são satisfatórias. Durante a noite de hoje, ou o dia de amanhã, disponibilizarei na página principal a ficha formativa e a sua correcção. Ao contrário do ano lectivo anterior não irei disponibilizar as classificações dos alunos… por motivos que agora não importa discorrer sobre, de momento penso que é mais sensato proceder assim… pelo menos enquanto não tiver oportunidade de falar sobre a questão da avaliação em reunião de Departamento. Até lá, vou tocando com a viola que me dão… depois logo se verá!

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Terminou ontem o prazo para a entrega dos trabalhos alusivos ao Halloween… e que belos trabalhos alguns dos alunos conseguiram! Hoje, no final das aulas, iremos montar a Exposição de Trabalhos na Biblioteca. Durante o fim de semana preparei alguns documentos que nos irão ajudar à divulgação e realização da actividade… entre os vários documentos gostei especialmente de preparar o cartaz publicitando o ‘evento’ que, julgo eu, não ficou mau de todo!

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A minha DT está a passar uma fase algo complicada… o que veio defraudar as expectativas que tinha criado. Estão demasiado desatentos e conversadores, mesmo tendo em conta as tendências para a excitação e regateio naturais da idade. Tivemos uma conversa olhos nos olhos na sexta-feira passada. Ontem pude constatar que se para alguns essa conversa trouxe melhorias no seu comportamento… para outros, as ideias trocadas foram como água no azeite… e continuam na mesma. Embora não seja isso que deseje, começo a pensar que o melhor será ter uma ‘daquelas reuniões’ com os encarregados de educação. Não que o comportamento da turma seja demasiado grave… mas se nada for feito e corrigido agora, temo que a tendência seja para piorar.

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24.Outubro.2007 – Quarta-Feira- 10.20 h.

 

Consultando as estatísticas do Livre.do.Ponto [que, confesso, vou verificando de tempos a tempos] pude constatar que esta última semana tem sido fértil em visitas… com um aumento de cerca de 300% relativamente à média diária entretanto registada em semanas anteriores. Este facto, pelo que pude perceber, deve-se a duas razões.

Primeiro, com a aproximação do Halloween, andam muitas ‘cigarras’ atarefadas procurando recursos para as suas actividades, dentro e fora da sala de aula, alusivas a esta festividade. Segundo, com as primeiras fichas de avaliação do presente período lectivo, as mesmas ‘cigarras’, ou outras, lá vão procurando a ‘papinha feita’, inserindo no benevolente Google termos como “fichas 6º inglês”, “testes inglês”, “ficha formativa inglês”, “exercícios vocabulário inglês”, etc, etc, etc. Sobre isto já coloquei aqui, em tempos, um post.

Já o manifestei noutras ocasiões… nada tenho contra a utilização dos recursos aqui disponibilizados no LdP (sejam eles actividades, fichas, testes ou outros)… bem pelo contrário. Apraz-me registar que o LdP humildemente tem contribuido para algumas aulas e actividades realizadas um pouco por todo o país… mas, desculpem o possível narcisismo…

…. por vezes fico com um travo amargo. É que tenho investido largas horas do meu tempo na construção e manutenção do LdP… quer disponibilizando trabalho meu, quer facilitando o acesso a trabalho de outros… e dos milhares de [imagino eu] professores que aqui têm vindo e descarregados testes, fichas e acedido a diversos recursos… contam-se pelos dedos de uma só mão, os que se deram ao ‘árduo’ trabalho de endereçar ao LdP um agradecimento, crítica, sugestão ou uma palavra de incentivo. Não procuro loas, nem nada que se assemelhe… mas naquelas horas em que fazemos o balanço, tentando perceber se todo este tempo investido e o sacrifício feito valerá a pena… por vezes precisamos de motivação exterior… e essa virá por saber que o nosso trabalho está a ser útil para alguém…

 

É que, até por uma questão de futuro, gostaria de conhecer a opinião das pessoas sobre o que funciona e está bem e o que seria perfeitamente dispensável no Livre.do.Ponto. Sem essa informação… só posso, recorrendo a artes da adivinhação, imaginar o que é necessário adicionar, que recursos as pessoas precisam ou que funcionalidades do LdP estão apenas a encher ecran.

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Eu só gostaria de ver o LdP melhorar… tornando-se, cada vez mais, uma util ferramenta de auxílio ao ensino da inglês como língua estrangeira… e começo a chegar a um ponto que só irei conseguir tal desiderato com a contribuição de quem o utiliza…

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Hoje joga o meu Benfica contra os escoceses do Celtic para a Liga dos Campões… lá estarei na Catedral da Luz… assobiando, cantando e gritando [na derrota contra os ucranianos até foi mais gritar do que outra coisa]…

…funciona como terapia e sempre sai mais barato que ir ao psiquiatra! Não passam é atestado, nem têm sofás para fazer descansar o esqueleto fatigado!

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23.Outubro.2007 – Terça-feira – 22.10 h.

 

De modo a não perder o contacto mais exigente com a língua inglesa, com o receio de ficar com a mente e língua adormecida pelos fundamentos linguísticos mais basilares, naturais no ensino de iniciação a uma nova língua, de tempos a tempos [não tão frequentemente como gostaria] vou lendo ou relendo livros, revistas ou artigos científicos publicados na língua de Shakespeare.

Desta feita decidi fazer algo que nunca tinha feito e ler um autor português que aprecio [Saramago] na tradução feita para inglês do seu, para mim, extraordinário romance “Ensaio sobre a Cegueira”. Com o título ‘Blindness’, publicado pela editora londrina The Harvil Press e traduzido pelo professor Juan Sager [que acabou por falecer durante o processo de tradução, posteriormente completado por Margaret Costa], a história… mesmo que já conhecida, não deixa de provocar em mim emocional efeito profundo. Recordo:
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“(…) blindness does not spread through contagion like an epidemic, blindness isn’t something that can be caught just by a blind man looking at someone who is not, blindness is a private matter between a person and the eyes with which he or she was born.”.

 

E isto a propósito de quê? Porque sinto que muitos dos problemas nos quais nos vamos vendo envolvidos… poderiam muitas das vezes ser resolvidos com relativa facilidade… bastasse olhar o outro nos olhos, sem recearmos ser contagiados por ‘outra forma de pensar e ver o mundo’!

 

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Na preparação para esta entrada acabei por recordar  também que a adaptação cinematográfica do “Ensaio sobre a cegueira” está em fase avançada. Tendo como realizador Fernando Meirelles [Cidade de Deus, O Fiel Jardineiro], e contando com as actuações de Julianne Moore e Mark Ruffalo, o filme parece prometer. Descobri inclusive que o realizador mantém um blogue [actualizado] sobre todo o processo de filmagem em: http://www.blogdeblindness.blogspot.com/. Vale bem a pena a visita!

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20.Outubro.2007 – Sábado – 00.10 h.

 

Quem disse que com o fim-de-semana vem o descanso?

Estou nos primeiros minutos de Sábado e ainda ando aqui às voltas com o LdP. Por vezes sinto que estou demasiado preso ao blogue… e que invisto demasiado tempo [demasiado] na sua manutenção e actualização. Nas alturas de maior desgaste surge a inevitável pergunta: será que valerá a pena?… por enquanto ainda me vou respondendo que sim… que vale!

Adicionei mais algumas funcionalidades ao Livre.do.Ponto. As mais visíveis serão: a caixa de chat [coluna da esquerda, no topo] que permitirá às visitas trocarem impressões em tempo real [veremos no que dá] e o mapa com a localização marcada da Escola Álvaro Velho. Não sei se serão de manter… muito do que aqui tenho feito passa sempre por uma fase de teste, de modo a confirmar se traz de facto uma mais valia ao blogue ou se apenas serve para encher ecran. Estão, pois, oficialmente em teste.

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Voltando uns dias atrás recordo a reunião com os EE, tida na quarta-feira passada. As minhas suspeitas confirmaram-se… a grande maioria dos EE compareceu à reunião… e mostraram-se bastante interessados e alguns deles saudavelmente participativos: questionando, opiniando, criticando, argumentando… fiquei extremamente satisfeito. Quanto a mim, tentei fazer o melhor que esteve ao meu alcance. Procurando ser claro e conciso da transmissão das informações e no esclarecimento das dúvidas, tentando que ninguém dali saísse com alguma coisa por dizer ou por saber… cheguei a casa perto das 21 horas… família à espera para jantar… e, cansados mas satisfeitos, lá retemperamos as forças colocando a conversa em dia, fazendo as contas dos débitos e créditos do dia findo.

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Hoje, na aula de Área Projecto terminei de ver o filme “Os Coristas” com a minhaos coristas DT. Utilizamos o filme como ponto de partida para os mini-projectos que irão ser elaborados pelos grupos [ tema aglutinador: a violência escolar ]. O filme é excelente… de produção francesa, candidato a Oscar para melhor filme estrangeiro no ano de 2004, surpreendeu-me pela positiva quando vi pela primeira vez. O debate que se seguiu foi vivo e participado. Apesar de alguns deles não terem feito qualquer intervenção, a grande maioria revelou vontade em dar a sua opinião quanto ao que tinha acabado de ver… desembocamos em questões extremamente pertinentes, directa e/ou indirectamente ligadas ao acto educativo… à forma de aprender e, consequentemente, de ensinar! Se esquecermos um ou outro aviso que teve de ser feito para apaziguar as hostes ansiosas e naturalmente excitadas… acabou por ser uma aula interessante [digo eu].

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Para este fim-de-semana irei preparar um post do LdP para auxiliar a turma do 6E que irá ter uma ficha de avaliação de conhecimentos durante a próxima semana. Prometi-lhes que iria mencionar qual os conteúdos abordados na ficha [embora já o tivesse dito na aula] bem como indicar alguns links onde poderão praticar as aprendizagens adquiridas. Já começa a tornar-se um hábito para eles [ainda que diminuto] as referências e utilização do LdP… só ainda não os consegui tornar mais activos na participação escrita aqui no blogue [daí ter decidido incluir a LdP Chat, para quebrar o gelo]… com o tempo lá chegaremos!

 

 

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16.Outubro.2007 – Terça-Feira –

A aula de Estudo Acompanhado: não sei se foi por termos sido demasiado ambiciosos na previsão do tempo que cada uma das tarefas levaria ou pelos alunos terem arrastado a sua produtividade, mas o que é certo que é não conseguimos completar o que estava planificado para aquela aula. Ficou por fazer a actividade sobre a qual eu guardava maior expectativa [a tal da ficha disponibilizada na entrada anterior]. No entanto sempre deu para lermos a ficha e iniciarmos o processo da sua compreensão e de planeamento das tarefas a desenvolver… pela recepção inicial dos alunos, dei como bem empregue a parte da tarde de Domingo que levei a preparar a actividade. No final solicitei ao 6E algo que para eles lhes pareceu quase uma blasfémia… disse-lhes para nada fazerem em casa relativamente à ficha… e que a única preocupação deles seria apresentarem-na intacta na próxima aula de EA.

 

Entretanto as restantes aulas correram bastante bem… os alunos aderem com relativa curiosidade e interesse às actividades e tarefas propostas, havendo apenas a preocupação de controlar a sua natural ansiedade em participar.

 A propósito do comportamento dos alunos, recordo que há dias uma das professoras da minha direcção de turma questionava-me sobre o que achava dos miúdos por comparação com os alunos da Escola do Vale. Ela própria tinha chegado à Escola Álvaro Velho vinda de uma escola numa zona problemática da Grande Lisboa e estava [imagino eu] curiosa por saber se eu também estaria a passar pelos mesmos momentos e indecisões do natural processo de adaptação a um ambiente educativo de natureza completamente distinta. Respondi-lhe o que para mim era óbvio [como também o foi no seu caso]: a comparação entre escolas cujos alunos provêem de contexto sociais tão distintos é sempre um navegar em mares perigosos. Preferi responder com um indefinível: São diferentes! A intenção não foi fugir à questão… de facto, e por estranho que pareça, ainda não tinha dedicado qualquer tempo a esse raciocínio… não o julguei pertinente nem senti qualquer necessidade, mesmo que inconsciente, de o fazer…

… são diferentes, apenas isso! Como também eu, por consequência, terei de ser diferente… o planeamento e encadeamento das actividades lectivas, por se destinar a uma população discente de diferentes características, terão de ser outros… mesmo a forma como conduzo os problemas e situações que vão surgindo, dentro e fora da sala de aula, terá de, aqui e ali, ser revista. Parecem-me preocupações naturais de quem encara com alguma seriedade aquilo que faz.

 

Hoje:

Encontro com um dos EE que não poderá estar na nossa reunião de amanhã. Será a minha estreia de atendimento a EE nesta Escola. Pelo que já me pude aperceber [em conversa com os alunos da minha DT, ontem] a grande maioria dos EE irá comparecer à reunião. A confirmar-se, a taxa de presença será bem maior do que os tais 40% da Escola do Vale.

Depois da tarde lectiva, está marcada uma reunião do Conselho de Turma do 5H. Tirando o caso de um aluno que tem suscitado alguns problemas disciplinares [ao que parece, repetindo o que sucedeu no ano lectivo anterior], a turma é relativamente estável, interessada e participativa… iremos, entre outros pontos, analisar com alguma acuidade os dados de caracterização da turma e iniciar os passos para a elaboração do Projecto Curricular de Turma.

Tentarei também dar um avanço no meu projecto de tese [pela enésima vez]. A pesquisa bibliográfica é a parte mais consolidada neste momento. Já tenho perto de 20 páginas de referência bibliográficas, alguns livros adquiridos e cerca de 4 dossiers a abarrotar de artigos. A parte metodológica também já apresenta razoável avanço, assim como o quadro conceptual de referência… por ridículo que possa parecer estou paralisado no texto preambular do projecto. Como este se destina à apreciação do conselho científico da faculdade para aprovação ou não do doutoramento, e sabendo que normalmente são as primeiras impressões que definem a decisão final, incorri no erro de querer imprimir um toque de originalidade [ou será imbecilidade?] à apresentação introdutória do caminho investigativo que pretendo percorrer. Dado o tema em questão [simplificando: teorias do caos e complexidade – suas possíveis aplicações e implicações na organização escolar], fiz o que normalmente não se deve fazer. Decidi apostar num título nesta parte do texto pouco de acordo com os cânones das normais práticas destas circunstâncias, como que desde logo marcando um outro passo discursivo, e agora estou com sérias dificuldades em construir um escrito coeso, escorreito e minimamente pertinente, que sustente o que pretendo levar a cabo… veremos no que isto irá dar. Ainda não recuperei do ano curricular anterior e continuo meio apanhado de surpresa pela possibilidade levantada pela minha orientadora de avançar desde já para a tese de doutoramento e não para a de mestrado, que era o que eu tinha previsto. Mais do que cansado… sinto-me espremido!

 

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15.Outubro.2007 – Segunda-feira – 11.27 h.

 

Passei boa parte do Domingo a preparar a semana que hoje começa.

Para a aula de hoje de Estudo Acompanhado e após reunião com o meu par pedagógico [por muitas vezes que utilize este termo soará sempre estranho], a FS, decidimos concretizar uma actividade que melhor prepare os alunos para a compreensão e concretização dos enunciados escritos e orais. Para isso faremos primeiro uma abordagem teórico-técnica ao tema em questão e seguidamente iremos solicitar-lhes a realização de uma actividade que muito gozo me deu preparar.

Não é nada de especial, seguramente, mas ainda assim penso que poderá ser bem recebida por eles: simulação de uma reunião da Comissão Organizadora da 32ª Feira do Livro de Barregosa-de-Cima [com a respectiva ordem de trabalhos e tarefas a levar a cabo]. A ficha que suporta a actividade foi elaborada por mim durante a tarde de ontem. Poderá não estar totalmente correcta segundo os cânones pedagógicos do eduquês, mas tendo em conta o tempo que dediquei à sua elaboração [que é cada vez menor] julgo que proporcionará uma aula interessante para os alunos. Aqui fica a dita ficha.

Depois passei à preparação da reunião com os Encarregados de Educação. Será a minha primeira nesta escola e estou extremamente curioso sobre qual será a taxa de participação.

Na Escola do Vale, nas reuniões em que tivesse cerca de 40% do EE já ficava bastante satisfeito. Aqui, pelo que pude verificar consultando os documentos relativos à Direcção de Turma do ano anterior, a percentagem será substancialmente maior: espero que tal também signifique um aumento na preocupação dos EE pelo desenrolar do processo educativo dos seus educandos. A ver vamos! De modo a aproveitar ao máximo o tempo [tenho de compreender que para a maioria dos presentes a reunião culminará um dia de árduo trabalho] preparei um documento onde sistematizo toda a informação relevante a ser transmitida. Penso que tal ajudará os EE cansados após um dia de labuta.

Sempre que preparo estas reuniões [ou mesmo encontros individuais] tento colocar-me no papel de EE… e penso sobre como gostaria de ser informado, sobre o quê gostaria de ser informado e qual a abordagem mais indicada para os temas mais sensíveis: comportamentos mais errantes, assiduidade menos conseguida, aproveitamento menos positivo. Até hoje penso que tenho conseguido levar o ‘barco a bom porto’ [ao contrário de muitos tenho especial predilecção por frases feitas, vulgo chavões… poupam imenso tempo a mentes cansadas ou preguiçosas – o que é, em simultâneo, o caso vertente].

Para finalizar, e já com o jantar a aproximar-se e o cheiro do refogado a pairar sobre a casa, alinhavei as aulas para a semana. Em Inglês no 6º ano continuaremos a revisão e aprofundamento de alguns conteúdos do ano lectivo anterior e no 5º ano continuaremos a dar os primeiros passos nos diálogos estruturados sobre a identificação pessoal [por muitos anos que passem nunca deixo de achar interessante o processo de descoberta de uma língua estrangeira… mesmo naqueles alunos que já tiveram uma mini iniciação ao Inglês no 1º Ciclo].

Para variar, o projecto da tese de doutoramento a ser entregue para uma primeira revisão pela orientadora ficou para amanhã. Nestes últimos dias é o que tem acontecido quase invariavelmente. Sinto que estou a pisar ovos moles e a protelar o que não deveria ser protelado. Já deveria ter entregue o primeiro esquiço há semana e meia…. e ainda ando de volta do texto……. amanhã!

 

 

 

 

[mais em breve]

9 Respostas to “Diário de Bordo”

  1. carla said

    o blog ta fixe

  2. Anabela Bataglia said

    Colega Luís, tenho andado a vasculhar o seu blogue aos poucos, pois o tempo não é muito e tenho-o considerado espectacular. Admiro o seu trabalho, as horas que tem dedicado ao mesmo.Já tive a oportunidade de lhe enviar os parabéns no seu site de apoio, o qual descobri primeiro.Hoje descobri o seu desalento por não ter resposta daqueles a quem tem proporcionado alguns momentos de prazer.Embora não tenha ainda utilizado os frutos do seu arduo trabalho na minha pratica lectiva,pode ter a certeza que terei imenso gosto em lhe enviar alguns trabalhos no futuro.

  3. LMML said

    Carla,

    Obrigado pelo ‘piropo’ ao LdP.

    Anabela,

    Grato pelo elogio. Fiz questão de lhe responder via mail.

  4. a sua aluna do 5ºf said

    olá stor acho o seu site fixe além de me perder um bocado por causa que ainda não percebo muito de inglês olha e um dia que tenhamos tempo podiamos concretizar um teatro na sala com um dos nossos textos do livro mas para o fazermos era perciso por alguns da nossa turma na rua !!!! enfim vou começar a visitar o seu site para ver e descobrir mais coisas e vamos ja ter teste amanhã tenho que me pre parar . vou tentar a tirar um excelente !!! com o stor é mais fácil aprender inglês

  5. Ariel Diego Ribeiro said

    Então sector, ainda lembra de mim?

    O Brazuka, então tudo bem?

    Abraços .

  6. Ariel Diego Ribeiro said

    Opa ta está tudo sim sector .

    Vou combinar com o David e o Sidnay para ver se vamos visitar ai o sector.

    Va porte se bem sector😀

    Abraço !

  7. Samuel Godinho said

    Oi Stor quando disse pra irmos a este blog pra vermos os testes nao tava a espera do blog ser assim parabens Site muito fixe!!!

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